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Como a ansiedade distorce a realidade

A ansiedade é uma emoção natural e necessária, mas quando se torna excessiva pode fazer-nos sobrestimar os perigos e subestimar a nossa capacidade para lidar com eles. Neste artigo, vais compreender a diferença entre a ansiedade útil e a ansiedade disfuncional, perceber como os pensamentos catastróficos alimentam o sofrimento e conhecer estratégias para recuperar uma perspetiva mais equilibrada.

3 min de leituraPâmela Borba
Como a ansiedade distorce a realidade

A ansiedade é uma emoção natural e, como todas as outras emoções, ela tem uma função essencial: nos mostrar algo e nos mover para a ação. Porém, como geralmente vem acompanhada de sintomas físicos desagradáveis (como coração acelerado, falta de ar ou respiração mais acelerada, sudorese, tremores, aperto no estômago, entre outros), ela é vista pelas pessoas como uma vilã a ser evitada a todo custo. 

Vale lembrar que, apesar de ser muito desconfortável, a ansiedade não é perigosa. Isso quer dizer que, mesmo diante de sintomas físicos muito fortes, nada de ruim acontecerá. Logo, o pico de intensidade irá diminuir sozinho. 

O lado útil da ansiedade

A ansiedade funciona como o “sistema de alarme” do nosso corpo. Ela nos comunica que estamos com medo ou preocupados com alguma situação futura ou um eventual perigo. Ao fazer isso, ela nos oferece energia necessária para superar ou resolver a situação. Por esse motivo, níveis adequados de ansiedade são produtivos, pois nos ajudam na organização e na preparação para eventos futuros.

Por exemplo, se tens uma entrevista de emprego importante, uma dose saudável de ansiedade faz com que estude sobre a empresa, separe a roupa com antecedência, veja como chegar a tempo no local da entrevista e descanse. Ela te move a se preparar.


O lado problemático da ansiedade

O problema surge quando o volume desse alarme fica alto demais ou dispara a qualquer momento, mesmo perante situações que não representam uma ameaça real. Nesses casos, a intensidade da ansiedade torna-se desproporcional em relação ao que está a acontecer.

É aqui que entram os pensamentos catastróficos que aumentam o sofrimento, comprometem a capacidade de agir e podem levar à paralisação.

Por exemplo: “Tudo vai correr mal nesta entrevista, será um desastre e nunca mais arranjarei um emprego”.

Sob a influência destes pensamentos, passamos a acreditar que não há saída possível e que não teríamos recursos nem competências para enfrentar os problemas, caso estes se concretizassem.

A ansiedade disfuncional nos faz olhar para a situação através de uma lente que

amplifica os perigos e diminui a confiança nas nossas capacidades.

O que fazer então?

Quando a ansiedade aparece, em vez de lutar contra ela ou tentar fazê-la desaparecer a qualquer custo, podemos aprender a reconhecer quando o nosso "alarme interno" está a funcionar adequadamente e quando está a exagerar o perigo.

Muitas vezes, a ansiedade nos leva a esquecer os recursos que já possuímos para lidar com os desafios. Questionar os pensamentos catastróficos, nos focar nos fatos e lembrarmos das situações difíceis que já ultrapassámos são formas de recuperar uma perspectiva mais equilibrada e realista. 

Se a ansiedade tem limitado a tua vida ou causado sofrimento frequente, procurar apoio psicológico pode te ajudar a recuperar a confiança nas tuas capacidades e a voltar a viver com mais tranquilidade.

Até o próximo artigo.

Pâmela Borba - Psicóloga - OPP 30032

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